ligação perdida, Irene está só.
quarta-feira, 25 de março de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
os anos...
Na noite passada, Irene foi ao cinema, viu um filme de amor que falava do tempo, falava de envelhecer. Saiu introspectiva, o cenário do Leblon pouco lhe dizia, era só chão pra pisar. Sentou no bar mais póximo, tomou três chopps sem pausa, pagou a conta, pegou o carro e foi dar um beijo no namorado que estava bêbado no pagode do negão. Foi do Leblon até o Flamengo, desenrolou o estacionamento e a entrada do pagode com uma sagacidade que não conhecia para dar um beijo de três minutos. Julgou decadente o estado do namorado e do pagode, mas o desejo que a levou ali foi suficientemente forte para, durante aqueles três minutos, esquecer-se de si e em volta. Tudo foi beijo, nele couberam os anos...
Deitada na cama, pensou em sua velhice, sempre a imagina como um momento de plenitude, uma velhinha doce e bárbara. Acha que finalmente saberá muitas coisas sem precisar dizê-las, que lhe será possível a humildade e a generosidade. Talvez seja o medo da morte que lhe faça romancear as coisas, ou quiçá seja uma intuição. Irene nunca acredita em suas intuições, em geral as dúvidas lhe parecem bem aceitas, se classifica como um membro intelectual ateu do mundo ocidental, um bom título, crê. Mas sabe, já me confessou que às vezes fica cansada.
Na noite passada, Irene não dormiu. Não conseguia parar de pensar, o ritmo de seu pensamento ia a muitos volts por minuto, muitas dúvidas, enredos, lembranças, vozes que se concordavam e discordavam. Vez em quando, olhava o relógio; estavam em total dissonância. Irene corria no tempo, galopes entre futuro e passado, corria com seu cavalo com um certo desespero, ansiava chegar em algum lugar, que não a cama onde estava deitada. Já a noite se arrastava lenta, acorrentada.
Foi até a cozinha, fez um chá, decidiu esperar o dia. Quando ele veio, Irene estava junto.
Deitada na cama, pensou em sua velhice, sempre a imagina como um momento de plenitude, uma velhinha doce e bárbara. Acha que finalmente saberá muitas coisas sem precisar dizê-las, que lhe será possível a humildade e a generosidade. Talvez seja o medo da morte que lhe faça romancear as coisas, ou quiçá seja uma intuição. Irene nunca acredita em suas intuições, em geral as dúvidas lhe parecem bem aceitas, se classifica como um membro intelectual ateu do mundo ocidental, um bom título, crê. Mas sabe, já me confessou que às vezes fica cansada.
Na noite passada, Irene não dormiu. Não conseguia parar de pensar, o ritmo de seu pensamento ia a muitos volts por minuto, muitas dúvidas, enredos, lembranças, vozes que se concordavam e discordavam. Vez em quando, olhava o relógio; estavam em total dissonância. Irene corria no tempo, galopes entre futuro e passado, corria com seu cavalo com um certo desespero, ansiava chegar em algum lugar, que não a cama onde estava deitada. Já a noite se arrastava lenta, acorrentada.
Foi até a cozinha, fez um chá, decidiu esperar o dia. Quando ele veio, Irene estava junto.
domingo, 4 de janeiro de 2009
meio-dia
.
Passados dez meses escrevendo cartas de amor,
Irene perturba-se e se pergunta se está predestinada
a amar as cartas, uma espécie de romance particular; ou
se dá as mãos de verdade, balança-as junto, sente
o toque na mão e a mão no toque.
Irene ama as cartas de amor porque é muito mais bonita
nelas que em real espelho. Fica linha em dobraduras de pano
e renda, fica franzida numa prega de saia, descobre-se ávida,
bicho, beira de rio, uma graça de flor, é de terra alguma nessas cartas !
Essa sensação a engrandece, Irene se sente livre.
Mas passados dez meses, já não se sentia livre, sentia-se um tanto confusa:
amava as cartas ou o sujeito da correspondência?
Até que ele veio, aquilo não tava certo. Quase
prestes à morte súbita da dúvida e da distância, o amor veio cheio
de imperativos, veio na presença forte do solão de meio-dia.
Deu confusão na fábula que não tinha final feliz, pelo simples motivo
de não ter fim. No entanto, a colocou pra caminho, cem mais terras.
As dúvidas se mantém, sempre vestidas de alguma roupa estranha...
Certeza, só uma:
As cartas de amor são ridículas, bregas. "Não seriam
cartas de amor se não fossem ridículas"
Irene está feliz e com vergonha.
Passados dez meses escrevendo cartas de amor,
Irene perturba-se e se pergunta se está predestinada
a amar as cartas, uma espécie de romance particular; ou
se dá as mãos de verdade, balança-as junto, sente
o toque na mão e a mão no toque.
Irene ama as cartas de amor porque é muito mais bonita
nelas que em real espelho. Fica linha em dobraduras de pano
e renda, fica franzida numa prega de saia, descobre-se ávida,
bicho, beira de rio, uma graça de flor, é de terra alguma nessas cartas !
Essa sensação a engrandece, Irene se sente livre.
Mas passados dez meses, já não se sentia livre, sentia-se um tanto confusa:
amava as cartas ou o sujeito da correspondência?
Até que ele veio, aquilo não tava certo. Quase
prestes à morte súbita da dúvida e da distância, o amor veio cheio
de imperativos, veio na presença forte do solão de meio-dia.
Deu confusão na fábula que não tinha final feliz, pelo simples motivo
de não ter fim. No entanto, a colocou pra caminho, cem mais terras.
As dúvidas se mantém, sempre vestidas de alguma roupa estranha...
Certeza, só uma:
As cartas de amor são ridículas, bregas. "Não seriam
cartas de amor se não fossem ridículas"
Irene está feliz e com vergonha.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
dia 06
.
Uma pequena demora para entrar na Cobal de Botafogo,
mas a fila anda...
Deixou a chave com o manobrista e foi ver as flores
que lhe chamariam. Vem um amor de longe, Irene quer
recebê-lo sem dizer nada, Irene o quer sem palavras.
Os lírios foram os primeiros na pronúncia, lançavam um
perfume rasgado, quase apelativo, se ofereciam feito putas
em vitrines de Amsterdam.
"Quero cinco".
Passou entre anturios, anemolas e gerboras, ouviu-as,
mas estavam sem acento.
As tulipas vermelhas estavam na reticência do querer mais,
flores de primavera que se demoram e nunca terminam...
"este buquê, vou levar".
Orquídeas! As Vanillas Planifolia, não precisa nem saber latim
para saber o que sugerem suas pétalas. Além disso exclamam cheiro
de baunilha.
Para completar levo três talos dessa Helicônea, um tom de falo
no silêncio das meninas.
Saiu carregadinha de perfume escondida entre verdes, vermelhos,
rosas e amarelos, Irene estava um ouriço só, assobiava alguma canção
irreconhecível, pela falta de talento no gesto.
Colocou-as com delicadeza no banco de trás
e os carros seguiram, a fila andou.
.
Uma pequena demora para entrar na Cobal de Botafogo,
mas a fila anda...
Deixou a chave com o manobrista e foi ver as flores
que lhe chamariam. Vem um amor de longe, Irene quer
recebê-lo sem dizer nada, Irene o quer sem palavras.
Os lírios foram os primeiros na pronúncia, lançavam um
perfume rasgado, quase apelativo, se ofereciam feito putas
em vitrines de Amsterdam.
"Quero cinco".
Passou entre anturios, anemolas e gerboras, ouviu-as,
mas estavam sem acento.
As tulipas vermelhas estavam na reticência do querer mais,
flores de primavera que se demoram e nunca terminam...
"este buquê, vou levar".
Orquídeas! As Vanillas Planifolia, não precisa nem saber latim
para saber o que sugerem suas pétalas. Além disso exclamam cheiro
de baunilha.
Para completar levo três talos dessa Helicônea, um tom de falo
no silêncio das meninas.
Saiu carregadinha de perfume escondida entre verdes, vermelhos,
rosas e amarelos, Irene estava um ouriço só, assobiava alguma canção
irreconhecível, pela falta de talento no gesto.
Colocou-as com delicadeza no banco de trás
e os carros seguiram, a fila andou.
.
domingo, 9 de novembro de 2008
jornal de quinta, 08.
Irene tinha ficado um tempo sem notícias do mundo,
só sabia dela, seus encontros, suas ilusões, suas armadilhas,
seu coração mole, seus dentes eu, eu, eu, eu...
Acordou tarde, descansada da viagem e seguiu para
o momento matinal, jornal no banheiro.
A notícia de Obama lhe fez perder o ar, os olhos encheram d'água.
Tem pretos na casa branca !!! É um momento histórico!!! Irene adora
pensar que testemunha momentos históricos, capturá-los enquanto
são folhas fresquinhas, são suspiros, sonhos. Logo, vem o tempo
e se encarrega de normalizar tudo. Como a gente se acostuma !
só sabia dela, seus encontros, suas ilusões, suas armadilhas,
seu coração mole, seus dentes eu, eu, eu, eu...
Acordou tarde, descansada da viagem e seguiu para
o momento matinal, jornal no banheiro.
A notícia de Obama lhe fez perder o ar, os olhos encheram d'água.
Tem pretos na casa branca !!! É um momento histórico!!! Irene adora
pensar que testemunha momentos históricos, capturá-los enquanto
são folhas fresquinhas, são suspiros, sonhos. Logo, vem o tempo
e se encarrega de normalizar tudo. Como a gente se acostuma !
Ora nunca mais senti o cheiro das folhas
Frequentava forrós às quintas, tinha tanta gente conhecida que podia ir sozinha,
sempre esbarrava com alguém. Forró era uma febre. Conheceu um namorado lá,
ia só pra porta ver o movimento e comer cachorro-quente do Oliveira, o Oliveira continua fazendo cachorro-quente de madrugada, e Irene de vez em quando come um de linguiça.
Ai, o tempo é uma obra que não termina e a gente sim. Quem vai contar a história?
"Nossa, a Jandira tá gorda, ela não era assim."
mimiografadas, no entanto fico eletrizada em frente a tela do computador. Assim está.
Hoje tem promessa de paz no Iraque, mas não sei se vem um tsunami
engulir a gente, haverá outra Arca de Noé?
Lembrou do ballroom, uma casa
de show que ficava no Humaitá. Hoje tem um prédio em construção no lugar.
Não qualificou em melhor ou pior, mas deu vontade de revisitar a história.
Lembrou do ballroom, uma casa
de show que ficava no Humaitá. Hoje tem um prédio em construção no lugar.
Não qualificou em melhor ou pior, mas deu vontade de revisitar a história.
Frequentava forrós às quintas, tinha tanta gente conhecida que podia ir sozinha,
sempre esbarrava com alguém. Forró era uma febre. Conheceu um namorado lá,
ia só pra porta ver o movimento e comer cachorro-quente do Oliveira, o Oliveira continua fazendo cachorro-quente de madrugada, e Irene de vez em quando come um de linguiça.
Ai, o tempo é uma obra que não termina e a gente sim. Quem vai contar a história?
"Nossa, a Jandira tá gorda, ela não era assim."
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Burgos, 13 de setiembre 03.
[Irene briga comigo, deixa um bilhete: fugi com a palavra , vamos casar].
passado tempo:
você me expõe, o Rio de Janeiro é uma província!
Descobri um lugar que faz milagres, realiza desejos, vende lugarzinho no paraíso, coisa boa. Abandonei o português, troquei por um español charmosérrimo, incrível menina ( pero todavía no nos entendiemos bien, una cuestión de tiempo), e sim ando em busca de algo que perdi, me contaram que esse é o melhor lugar, não para encontrar, mas para saber O QUÊ eu perdi
Não é por querer, Irene, é por precisar, preciso te ver para me ver, preciso de um lugar para o drama.... não posso te prometer nada, tome seu tempo.
Falamos pelo skype, nos vimos na webcam, vocês não acreditam, ela está peregrinando na Espanha
Buen camino, Irene
buen camino !!
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