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Uma pequena demora para entrar na Cobal de Botafogo,
mas a fila anda...
Deixou a chave com o manobrista e foi ver as flores
que lhe chamariam. Vem um amor de longe, Irene quer
recebê-lo sem dizer nada, Irene o quer sem palavras.
Os lírios foram os primeiros na pronúncia, lançavam um
perfume rasgado, quase apelativo, se ofereciam feito putas
em vitrines de Amsterdam.
"Quero cinco".
Passou entre anturios, anemolas e gerboras, ouviu-as,
mas estavam sem acento.
As tulipas vermelhas estavam na reticência do querer mais,
flores de primavera que se demoram e nunca terminam...
"este buquê, vou levar".
Orquídeas! As Vanillas Planifolia, não precisa nem saber latim
para saber o que sugerem suas pétalas. Além disso exclamam cheiro
de baunilha.
Para completar levo três talos dessa Helicônea, um tom de falo
no silêncio das meninas.
Saiu carregadinha de perfume escondida entre verdes, vermelhos,
rosas e amarelos, Irene estava um ouriço só, assobiava alguma canção
irreconhecível, pela falta de talento no gesto.
Colocou-as com delicadeza no banco de trás
e os carros seguiram, a fila andou.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
jornal de quinta, 08.
Irene tinha ficado um tempo sem notícias do mundo,
só sabia dela, seus encontros, suas ilusões, suas armadilhas,
seu coração mole, seus dentes eu, eu, eu, eu...
Acordou tarde, descansada da viagem e seguiu para
o momento matinal, jornal no banheiro.
A notícia de Obama lhe fez perder o ar, os olhos encheram d'água.
Tem pretos na casa branca !!! É um momento histórico!!! Irene adora
pensar que testemunha momentos históricos, capturá-los enquanto
são folhas fresquinhas, são suspiros, sonhos. Logo, vem o tempo
e se encarrega de normalizar tudo. Como a gente se acostuma !
só sabia dela, seus encontros, suas ilusões, suas armadilhas,
seu coração mole, seus dentes eu, eu, eu, eu...
Acordou tarde, descansada da viagem e seguiu para
o momento matinal, jornal no banheiro.
A notícia de Obama lhe fez perder o ar, os olhos encheram d'água.
Tem pretos na casa branca !!! É um momento histórico!!! Irene adora
pensar que testemunha momentos históricos, capturá-los enquanto
são folhas fresquinhas, são suspiros, sonhos. Logo, vem o tempo
e se encarrega de normalizar tudo. Como a gente se acostuma !
Ora nunca mais senti o cheiro das folhas
Frequentava forrós às quintas, tinha tanta gente conhecida que podia ir sozinha,
sempre esbarrava com alguém. Forró era uma febre. Conheceu um namorado lá,
ia só pra porta ver o movimento e comer cachorro-quente do Oliveira, o Oliveira continua fazendo cachorro-quente de madrugada, e Irene de vez em quando come um de linguiça.
Ai, o tempo é uma obra que não termina e a gente sim. Quem vai contar a história?
"Nossa, a Jandira tá gorda, ela não era assim."
mimiografadas, no entanto fico eletrizada em frente a tela do computador. Assim está.
Hoje tem promessa de paz no Iraque, mas não sei se vem um tsunami
engulir a gente, haverá outra Arca de Noé?
Lembrou do ballroom, uma casa
de show que ficava no Humaitá. Hoje tem um prédio em construção no lugar.
Não qualificou em melhor ou pior, mas deu vontade de revisitar a história.
Lembrou do ballroom, uma casa
de show que ficava no Humaitá. Hoje tem um prédio em construção no lugar.
Não qualificou em melhor ou pior, mas deu vontade de revisitar a história.
Frequentava forrós às quintas, tinha tanta gente conhecida que podia ir sozinha,
sempre esbarrava com alguém. Forró era uma febre. Conheceu um namorado lá,
ia só pra porta ver o movimento e comer cachorro-quente do Oliveira, o Oliveira continua fazendo cachorro-quente de madrugada, e Irene de vez em quando come um de linguiça.
Ai, o tempo é uma obra que não termina e a gente sim. Quem vai contar a história?
"Nossa, a Jandira tá gorda, ela não era assim."
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Burgos, 13 de setiembre 03.
[Irene briga comigo, deixa um bilhete: fugi com a palavra , vamos casar].
passado tempo:
você me expõe, o Rio de Janeiro é uma província!
Descobri um lugar que faz milagres, realiza desejos, vende lugarzinho no paraíso, coisa boa. Abandonei o português, troquei por um español charmosérrimo, incrível menina ( pero todavía no nos entendiemos bien, una cuestión de tiempo), e sim ando em busca de algo que perdi, me contaram que esse é o melhor lugar, não para encontrar, mas para saber O QUÊ eu perdi
Não é por querer, Irene, é por precisar, preciso te ver para me ver, preciso de um lugar para o drama.... não posso te prometer nada, tome seu tempo.
Falamos pelo skype, nos vimos na webcam, vocês não acreditam, ela está peregrinando na Espanha
Buen camino, Irene
buen camino !!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
primavera
No es dulce la seducción, pensó mientras mojava sus plantitas.
No es dulce....
A ellas le dedica una charla en español todas las mañanas, y água, y ellas si, son de verdad dulces.
Sacó unas hojas secas de carmem, la rosera, y puso juanita, el manacá, para tomar un poco más de sol, yá le despontam unas floresitas, unas chicas blancas y violetas.
Es un lio, una ilusión. Una trama magnética.
Pero los sueños me inspiran, que puedo hacer?
Es casi primavera, estoy fértil, brotan ideas como pelos.
Vení ! Te invito en nombre del placer estético, te prometo no ponerme de flor
Las plantas no le opinaron nada, silencio. Irene piensa fuertemente en tener el pájaro que habla, pero todos insisten que es feo tener un pajarito preso.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
o dia
sentiu força no cóccix
e levantou, estava na hora
HOJE É SEU GRANDE DIA !
ganhou um ar jovem,
brilhante
de uma pedra que eu nem sei o nome
sentia-se quente
quem tinha?
(Irene riu, sabia a resposta
e que bela risada)
e levantou, estava na hora
HOJE É SEU GRANDE DIA !
ganhou um ar jovem,
brilhante
de uma pedra que eu nem sei o nome
sentia-se quente
quem tinha?
(Irene riu, sabia a resposta
e que bela risada)
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
dia quatro
Naquela caixinha tinha de tudo, coisas do século passado que a tia-bisavó deixou de herança. Irene conviveu pouco com a velhinha, Titá morreu de câncer na língua, quando ela tinha apenas dois anos. De sua história só sabia que tinha sido uma mulher feminista, a única na família que nunca se casou, que trabalhava de caixeira-viajante, e tinha amantes em vários lugares. Deixara a lembrança com o sobrinho-neto, pai de Irene, para ser entregue quando aquela estivesse mais moça, retribuição de um brinco que Irene lhe presentiou. Não lembrava nada disso, mas assim lhe foi contado, bem como a aparição de seu espírito. Apareceu para uma prima de segundo grau que era médium, contou um pouco sobre a vida do além, e revelou algumas premonições para os que ficaram. Sobre Irene, garantia longevidade, graças ao semblante luminoso que possuia.
Pensou que a história era mentira, criatividade do pai, num momento Gabriel García Márquez. Depois pensou que era especial, uma luz em pessoa. Imaginou enterrando os entes queridos, o velório no cemitério, o dia chuvoso... O drama foi tão real, que lhe escorreu uma lágrima, foi o necessário para despertar do pesadelo. Quando começou a supor que a veria a noite, resolveu abrir a tal caixa. Irene tem pavor dessas estórias de espírito, e os mistérios da morte, e anda trabalhando duro para aceitar como particularidade de seu gênero.
A caixa era de madeira, na frente tinha uma foto de algum lugar que parecia os arcos da lapa, mas não era. Dentro tinha moedas de outros países, cartas românticas, poesias, objetos toscos e papéis e mais papéis. Entre eles, achou esse, estava escrito "receita pra boi dormir e sonhar" :
Coloque-o no colo. Segure na coluna desenhando um arco, vai proporcionar uma sensação de intereza . Olhe-o com ternura, dê-lhe um cheiro na face, fazendo um contato de pele suave. Ofereça o seio; pode sussurrar algo melódico e deixe que naturalmente ele vai chupar.
Ensaiou enquanto lia, o vazio em seus braços ganhou forma, e o bico enrigeceu. Dobrou o papel e guardou num lugar seguro, aquilo poderia ser útil. Jogou fora algumas quinquilharias, e passou um paninho na caixa.
Pensou que a história era mentira, criatividade do pai, num momento Gabriel García Márquez. Depois pensou que era especial, uma luz em pessoa. Imaginou enterrando os entes queridos, o velório no cemitério, o dia chuvoso... O drama foi tão real, que lhe escorreu uma lágrima, foi o necessário para despertar do pesadelo. Quando começou a supor que a veria a noite, resolveu abrir a tal caixa. Irene tem pavor dessas estórias de espírito, e os mistérios da morte, e anda trabalhando duro para aceitar como particularidade de seu gênero.
A caixa era de madeira, na frente tinha uma foto de algum lugar que parecia os arcos da lapa, mas não era. Dentro tinha moedas de outros países, cartas românticas, poesias, objetos toscos e papéis e mais papéis. Entre eles, achou esse, estava escrito "receita pra boi dormir e sonhar" :
Coloque-o no colo. Segure na coluna desenhando um arco, vai proporcionar uma sensação de intereza . Olhe-o com ternura, dê-lhe um cheiro na face, fazendo um contato de pele suave. Ofereça o seio; pode sussurrar algo melódico e deixe que naturalmente ele vai chupar.
Ensaiou enquanto lia, o vazio em seus braços ganhou forma, e o bico enrigeceu. Dobrou o papel e guardou num lugar seguro, aquilo poderia ser útil. Jogou fora algumas quinquilharias, e passou um paninho na caixa.
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